O pior cego é o que não quer ver

Matéria retirada do jornal O Nerd.

Você sabe de onde vem a expressão “o pior cego é o que não quer ver”?

Significado: diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega-se a ver a verdade.

Origem: em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que, assim que passou a enxergar, ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi parar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

Era melhor encarar a realidade ou viver na ilusão do mundo que ele criou, enganando-se? Isso é que o que se pode chamar de escapismo! Está bem que o mundo é decepcionante, mas se esconder como os anões em A Última Batalha (As Crônicas de Nárnia), presos em suas mentes, é ainda mais triste.

O próximo passo da evolução

Cristo entregou-Se à submissão e à humilhação perfeitas: perfeitas porque era Deus; submissão e humilhação porque era um homem. Ora, a crença dos cristãos está em que, se partilharmos de algum modo da humildade e do sofrimento de Cristo, partilharemos também do Seu triunfo sobre a morte, encontraremos nova vida após a morte e nela seremos criaturas perfeitas e perfeitamente felizes. Isso implica bem mais que tentar seguir Seus ensinamentos. As pessoas se perguntam quando ocorrerá o próximo passo da evolução — um passo para além do próprio homem —, mas, segundo o cristianismo, esse passo já foi dado. Em Cristo, um novo homem surgiu; e o novo tipo de vida que começou n’Ele deve ser instilado em nós.

– CS Lewis, em “Cristianismo Puro e Simples”

In Christ Alone

IN CHRIST ALONE

In Christ alone my hope is found
He is my light, my strength, my song
This cornerstone, this solid ground
Firm through the fiercest drought and storm

What heights of love, what depths of peace
When fears are stilled, when strivings cease
My comforter, my all in all
Here in the love of Christ I stand.

In Christ alone, who took on flesh
Fullness of God in helpless Babe
This gift of love and righteousness
Scorned by the ones He came to save

‘Til on the cross as Jesus died
The wrath of God was satisfied
For ev’ry sin on Him was laid
Here in the death of Christ I live

There in the ground His body lay
Light of the world by darkness slain
Then, bursting forth in glorious day
Up from the grave He rose again

And as He stands in victory
Sin’s curse has lost its grip on me
For I am His and He is mine
Bought with the precious blood of Christ

No guilt in life, no fear in death
This is power of Christ in me
From life’s first cry to final breath
Jesus commands my destiny

No pow’r of hell, no scheme of man
Can ever pluck me from His hand
‘Til He returns or calls me home
Here in the pow’r of Christ I’ll stand

Céu aberto

O navio não tinha bússola. Deixou a ilha de Creta e dirigia-se à Itália. Navegava de leste a oeste no mar Mediterrâneo, entre o sul da Europa e o norte da África. Estavam a bordo o dono da embarcação, a tripulação e os passageiros, ao todo 276 pessoas. Dentre elas havia um oficial do exército romano, alguns soldados, alguns presos e um médico e historiador chamado Lucas. Um dos presos era Paulo de Tarso. O navio tinha saído de Alexandria, no Egito, e levava uma boa carga de trigo para Roma. Um vento forte o tirou da rota e uma tempestade escondeu o sol, a lua e as estrelas por duas semanas. O céu só se abriu depois do naufrágio do barco nas proximidades da ilha de Malta, ao sul da Sicília. Pode-se imaginar o alívio que o céu aberto trouxe para aqueles náufragos depois de tanto tempo de céu fechado (At 27).

A questão é que há outras situações de céu aberto mais importantes do que a de sentido literal. No mesmo livro de Atos há uma referência a céu aberto como metáfora, referindo-se à visibilidade de Deus e de sua glória. Trata-se do episódio envolvendo o primeiro mártir da história do cristianismo. Estêvão estava sendo apedrejado. A dor era enorme. A morte, iminente. Ninguém estava por perto para suspender o apedrejamento. Ele olha firmemente para o céu e vê a glória de Jesus Cristo. Então, Estêvão exclama: “Olhem! Eu estou vendo o céu aberto!” (At 7.56, NTLH). No derradeiro momento da vida, esse fervoroso cristão vê o céu aberto e não a escuridão da maldade humana e da morte.

Há nuvens espessas e muito escuras que se colocam entre a criatura e o Criador. É uma espécie de véu que encobre Deus e as demais realidades. Isso infelicita muita gente porque os priva de Deus — sem o qual a alma geme o tempo todo. É mais fácil e menos complicado crer em Deus do que não crer nele. No entanto, essa nuvem ou esse véu esconde do homem aquele por quem ele aspira sem saber. Como entender a criação sem o Criador? Como entender a beleza, a ordem, a majestade, a funcionalidade, a imensidão das coisas criadas sem considerar a existência de Deus? Como não crer em Deus se não há um povo sequer sem religião, em qualquer tempo e em qualquer lugar? Como não crer em Deus se até hoje o secularismo, o materialismo, o agnosticismo, o ateísmo e as ideologias, em separado ou todos juntos, não conseguiram apagar da mente humana a ideia de Deus? Como não crer em Deus se os escândalos, a perseguição e as guerras religiosas não foram suficientes para desacreditá-lo por completo? Como não crer em Deus diante do impasse da morte física e do mistério que a envolve?

O céu fechado não diz respeito apenas à incredulidade. Refere-se também à recusa em tratar Deus como Deus. Só depois de sujeitar-se resoluta e alegremente à soberania de Deus é que o ser humano pode exclamar: “Eu estou vendo o céu aberto!”.

Não podemos ser ingênuos. Enquanto alguns evangelizam, outros “desevangelizam”. A arte de atrapalhar a caminhada para o céu aberto existe. Jesus condenou aqueles que não entram “nem deixam que entrem os que estão querendo entrar” (Mt 23.13, NTLH). A parábola do semeador diz que existe de fato um ladrão de semente: as aves do céu costumam comer as sementes do evangelho lançadas no coração humano, impedindo que elas sequer germinem (Mt 13.4, 19). Os homens não podem crer porque, segundo Paulo, “o deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.4). Todavia, a situação não é irreversível, pois os que querem sair da escuridão que os envolve e entrar no céu aberto podem e devem contar com a graça de Deus. Porque “esse véu só é tirado quando a pessoa se une com Cristo” (2Co 3.14, NTLH)!

– Fonte: Ultimato; photo by Travel Notes