God Bless America!

Setembro 11, 2008

O título não poderia ser mais sugestivo e eu não poderia deixar de falar no assunto. Mas eu não vou escrever sobre especulações acerca do 11 de setembro de 2001. Sobre isso, muito já foi falado. O documentário Fahrenheit 9/11 está aí para isso. E o que dizer de que, dias depois, saiam notícias de um possível ataque ao Brasil (e eu fiquei pensando que os terroristas não teriam dificuldade em burlar nossa segurança, mas sim em achar o que derrubar…)? O ataque às Torres Gêmeas pode ter as mais variadas causas, mas o mais importante hoje, sete anos depois, é pensar nas conseqüências.

É pensando nas conseqüências que trago três textos muito bons sobre o assunto. Primeiro, “O ataque foi contra Deus”, de Ricardo Gondim, fala sobre o que mudou quanto à religiosidade depois dos ataques. Segundo, o sermão pregado pelo pastor da Times Square, cinco dias após os atentados – é de assustar a atualidade deste texto! Parece mesmo ter sido escrito hoje. E por último, “A utopia das utopias” – sobre esse eu não vou comentar, deixo que descubram sozinhos. Todos os textos foram retirados da Revista Ultimato.

Pode ser estranho, mas esses textos enfocarão o perdão. Em sua coluna na revista Época, o filósofo Olavo de Carvalho chama de “fariseus, santarrões e terroristas de batina” aqueles que fazem apologia de um possível perdão americano aos responsáveis pelo ataque terrorista do dia 11 de setembro (Época, 1/10/2001, p. 111). Idealista, eu? Vejamos:

O perdão pode ser injusto — e ele é, por definição —, mas pelo menos fornece um meio de parar com o carro da dedicação cega da retribuição.

A história mostra que a graça tem o seu próprio poder. Grandes líderes como Lincoln, Gandhi, King, Rabin e Sadat me vêm à mente; todos eles pagaram o preço máximo por desafiar a lei da não-graça e podem ajudar a criar um clima nacional que conduza à reconciliação.

Como seria diferente a história moderna se Sadat e não Saddan governasse o Iraque. Ou se um Lincoln surgisse das ruínas da Iugoslávia.

É esperar demais que os elevados ideais éticos do evangelho — no qual o perdão se encontra no âmago — sejam transportados para o mundo brutal da política e diplomacia internacional? Neste mundo, que chance tem uma coisa tão etérea como o perdão?

Divorciado do perdão, o monstruoso passado pode despertar a qualquer momento da hibernação para devorar o presente. E também o futuro.

- Philip Yancey, editor da Christianity Today, a mais respeitada revista evangélica dos EUA e autor de vários livros, publicados também no Brasil. Do capítulo “Acerto de Contas” de seu Maravilhosa Graça (pp. 113-125).

Jogar comida para pessoas que você está bombardeando é como colocar um band-aid numa grande ferida que você mesmo abriu.

- Sara Roy, do Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Harvard, em entrevista à Folha de São Paulo de 9/10/2001.

Jogar coisas do céu é mais uma jogada de marketing do que um esforço bem preparado de auxílio.

- Porta-voz da Oxfam, uma das maiores agências humanitárias do mundo.

Agora, deixo a vocês os textos. Boa leitura e comentem!

O ataque foi contra Deus

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, procurou transformar o ataque de 11 de setembro numa guerra do bem contra o mal. Parafraseou, inclusive, uma expressão de Jesus Cristo: “Quem não estiver conosco, estará contra nós”. Dan Rather, âncora de uma das mais expressivas redes de televisão americanas, chorou em um show de entrevistas. Com a voz embargada, afirmou que os terroristas atacaram Nova York, porque tinham inveja da riqueza americana. Osama bin Laden incluiu o sofrimento dos palestinos e a presença americana no solo sagrado da Arábia Saudita como justificativa para o ódio que levou seu bando a matar gente inocente na cidade mais cosmopolitana do mundo.

Eu, brasileiro, nordestino, pastor de uma igreja pentecostal, estarrecido com todos os acontecimentos, sentia que eles envolviam mais interesses internacionais com repercussão na economia e nas relações do Ocidente com o mundo islâmico. Mas um artigo de José Saramago, publicado na Folha de São Paulo de 19 de setembro, chamou-me a atenção pelo título: O Fator Deus. Ele abriu meus olhos para as mudanças que se prenunciam para o mundo religioso.

Suas considerações, mesmo tendo de descontar sua notória antipatia a Deus, mostraram-me que os atentados do mês de setembro produzirão no mundo ocidental uma nova postura quanto à religião. Por isso, interessei-me em lê-lo cuidadosamente. Saramago afirmou: “Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana.”

Arnaldo Jabor, por sua vez, afirmou em um programa de televisão naquela mesma semana que o monoteísmo é o verdadeiro responsável pelo ódio religioso. Ele acredita que ao criarmos Deus, precisávamos descartar as outras idéias sobre a divindade. Ao transformarmos todos os outros deuses em ídolos falsos, geramos a intolerância religiosa. Para ele, os modelos monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo) promovem mais ódio que quaisquer outros, pois enxergam o próximo sempre como um herege ou um parceiro do diabo.

Os atentados terroristas recrudescerão a intolerância ocidental para com aqueles que não forem ecléticos e ecumênicos. Todos os que, de agora em diante, insistirem nos antigos valores da ética judaico-cristã, acreditarem na afirmação de que Jesus Cristo é o Caminho, ou pregarem os postulados da Reforma de que há uma só verdade religiosa objetiva, revelada na Bíblia, receberão imediatamente o rótulo de retrógrados, medievais e reacionários.

Os terroristas que voaram contra aqueles edifícios pensavam demolir um símbolo econômico e em desestabilizar uma nação. Acabaram atingindo a Deus! Agudizaram a repugnância que a cultura ocidental nutre contra os valores religiosos e aumentaram a resistência que homens e mulheres têm de amarem a Deus. A partir de agora, meninos e meninas aprenderão a não defenderem idéias, principalmente religiosas, para não receberem a pecha de fundamentalistas.

Jesus profetizou sobre o fim afirmando: “Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome” (Mt 24.9). Este versículo já se cumpriu inúmeras vezes através dos séculos. Temo que o clima se torne mais uma vez tão insuportável que nos sintamos intimidados de pregar o “evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações” (v. 14). Receio que jovens do mundo ocidental cresçam sem ideais, quaisquer que sejam eles, e que radicais islâmicos sejam os únicos dispostos a morrerem por uma causa. Sem bandeiras, sem objetivos e sem utopias, permitiremos que a iniqüidade se multiplique. Em se multiplicando a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos e aí virá o fim. (Grifo meu)

Que Deus tenha misericórdia de nós.

O texto acima não foi reproduzido na sua integralidade.

O sermão do pastor da Times Square cinco dias depois do atentado terrorista

No primeiro domingo depois do atentado terrorista nos Estados Unidos, as igrejas se encheram no país. Obviamente, o sermão daquele domingo foi a propósito do que havia acontecido cinco dias antes. O pastor da Igreja da Times Square, em Nova York, ordenado há 48 anos, abordou o tema As torres caíram — mas não compreendemos o significado da mensagem!

Lá pelas tantas, o pregador foi dizendo:

“Nunca na história o Senhor deixou seu povo sem pistas na hora da calamidade. Ele jamais nos forçou a descobrir as crises por nós mesmos. Ele sempre fornece uma palavra esclarecedora.

Quando o Congresso pede um minuto de silêncio, acreditamos ser por arrependimento verdadeiro. Quando vemos os políticos cantando Deus Salve a América, achamos que nosso país retornou a Deus. Quando desportistas interrompem o jogo para fazer um minuto de silêncio, pensamos que é um exercício espiritual. Mas é só isso que vai sobrar da nossa recente tragédia?

Sou tão patriota quanto qualquer americano. Mas enfrentamos o mesmo perigo que correu em Israel: podemos facilmente deixar escapar a mensagem de Deus para nossa nação.

Em todo o país as pessoas estão fazendo reuniões de oração e memória. É correto, honroso e bíblico lembrarmos dos que morreram. Mas por que temos tanto medo de convocar também reuniões de oração e arrependimento?

Neste momento, a maioria dos americanos estão concentrados na lembrança e na vingança. Assim, como fica o chamado de Deus para os EUA voltarem para Ele?

Se Deus não poupou outras nações que desobedeceram sua leis, por que haveria de poupar os EUA? Ele nos julgará do mesmo jeito que julgou Sodoma, Grécia, Roma e outras culturas que lhe viraram as costas.”

O pastor da Times Square conhece Nova York na ponta do dedo, especialmente os antros de perdição, pois mora lá há muitos anos. O que o levou a Nova York foi o desejo incontido de trabalhar com jovens dependentes de droga. Foi ele quem escreveu o best-seller A Cruz e o Punhal, fundou o primeiro Desafio Jovem (entidade que procura recuperar marginais) e teve alguma influência na formação do Movimento Carismático Católico. O nome dele é David Wilkerson.

A utopia das utopias

Caverna nº 7
Cabul, Afeganistão

Estimado senhor Osama bin Laden:

Escrevo para torná-lo ciente de que determinei o fim imediato e definitivo de toda ação bélica dos Estados Unidos no Afeganistão, no Iraque e em qualquer outro país do Oriente Médio. Já ordenei o retorno de todo o aparato militar americano aquartelado na região.

Aproveito a oportunidade para pedir perdão pelos bombardeios realizados no Afeganistão, pela morte de civis e militares e pela destruição que causamos. Preciso ir mais longe ainda: peço perdão por nossos repetidos bombardeios no Iraque desde a Guerra do Golfo e por nossa política externa no Oriente Médio.

Deus salve o Afeganistão!

Com meus renovados sentimentos de pesar por esta guerra inglória, envio-lhe minhas saudações cordiais,

George W. Bush
Presidente dos EUA

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Casa Branca
Washington, EUA

Estimado senhor George W. Bush:

Escrevo para torná-lo ciente de que determinei a suspensão imediata e definitiva de toda ação terrorista do Talibã em território americano e em qualquer outro país do Ocidente. Já ordenei a destruição de todos os nossos projetos que deveriam ser concretizados em cadeia nas próximas semanas.

Aproveito a oportunidade para pedir perdão pelo ataque terrorista realizado contra os EUA no dia 11 de setembro, provocando a morte de milhares de pessoas em Nova York, Washington e Pittsburg. Preciso ir mais longe ainda: peço perdão pelos atentados anteriores, em diferentes postos do globo, sempre contra os americanos.

Alá salve a América!

Com meus renovados sentimentos de pesar por esta luta inglória, envio-lhe minhas saudações cordiais,

Osama bin Laden
Chefe do Talibã

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As duas cartas foram recebidas na mesma data e na mesma hora.

5 Responses to “God Bless America!”

  1. Junia Says:

    No Brasil poderiam derrubar o congresso, ué? Alguma dúvida? rs…

  2. Glória Says:

    huahauha

    Sabe, eu também tinha pensado no Congresso. Mas vamos combinar que não teria a mesma emoção. Aliás, essa deve ser a única coisa que poderia ser derrubada! Ah, talvez também a estátua do Rio. Não, não! Quer ver fazer o brasileiro lamentar mesmo? Derruba o maracanã!

  3. abner Pereira Says:

    pelo menos matava todos os politicos!!!

    Muito Bom o texto Gloria, Parabens

  4. Glória Says:

    Obrigada pelo comentário, Abner :)

  5. Victor Says:

    Poderia ser o cristo o alvo dos terroristas.Até que faria sentido, não?
    Muito Bom o texto Gloria, Parabens [2]

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